E quando nos sobrevier o sofrimento?

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formigas

O sofrimento é uma condição inerente ao homem. Por mais que fujamos dele nunca estaremos totalmente livres. Aliás, fugir da dor não é a melhor opção, encará-la, sim, é a postura que mais nos faz crescer. Uma doença, limitação extrema, perda, pode nos sobrevir em momento inesperado e se não estivermos preparados, sucumbimos.

As formigas, dos seres mais estrategistas da natureza, recolhem suas provisões enquanto podem e as armazenam prevendo os tempos difíceis dos quais nem poderão sair de seus formigueiros. Bem poderíamos imitá-las no trato com nossa alma, alimentá-la com as provisões da alegria, perdão, paciência, porque cedo ou tarde nos abaterá as intempéries da jornada, irremediavelmente.

VANDERLÚCIO SOUZA

fonte:http://blog.opovo.com.br/ancoradouro/e-quando-nos-sobrevier-o-sofrimento/

“Frozen” é um filme cristão?

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frozen
“Eu descobri um paradoxo: se você amar até doer, não haverá mais dor, mas somente amor” (Madre Teresa)

“Algumas pessoas merecem que a gente se derreta” (Olaf, o boneco de neve)

O que nos leva a gostar de um filme?

Eu acho que, sempre que assistimos a um filme, nós avaliamos o quanto ele representa algum aspecto da realidade. Espectadores diferentes se concentram, naturalmente, em aspectos diferentes: as feministas vão observar de que forma a mulher é retratada; os marxistas vão olhar como a economia e a história são mostradas, e assim por diante. Eu, como estudante católico de artes liberais, aos 21 anos de idade, muitas vezes me pergunto até que ponto os blockbusters de Hollywood apresentam a moral clássica judaico-cristã. E você pode imaginar a minha alegria quando entrei no cinema para ver a mais recente animação da Disney, “Frozen”, e descobri que poderia confundi-la com um texto de Karol Wojtyla, caso ele tivesse escrito histórias infantis ganhadoras do Oscar em vez de se tornar o papa João Paulo II.

Por que eu acho que esse filme é tão cristão? É simples: por causa do tipo de amor mostrado pelos personagens e por causa do tipo de amadurecimento que eles vivem. As duas personagens mais bem desenvolvidas e interessantes são as protagonistas, as princesas Anna e Elsa. Elas mostram ao espectador como a nossa compreensão do amor e da realização pessoal nos afeta. Anna tenta encontrar a felicidade nos braços de um homem que ela acabou de conhecer, enquanto Elsa vai se isolando cada vez mais ao longo do filme. No final, porém, fica claro que elas só podem achar a felicidade no amor sacrificial.

Hans e Anna se envolvem já no primeiro encontro, bem ao estilo tradicional da Disney. Mas, ao contrário de muitos dos filmes antecessores, “Frozen” mostra de duas maneiras a imprudência desse ato. A primeira é simples: retratando Hans como o vilão da história. A segunda é um pouco mais complexa: mostrando como Anna vai amadurecendo na sua compreensão do amor. O dueto de Anna e Hans, “Love is an open door” [O amor é uma porta aberta], que eles cantam pouco antes do noivado, propõe uma visão imatura e mundana do amor.

Na canção, os dois “amantes” cantam o amor como uma experiência libertadora, uma ideia que é perfeitamente cristã. Só que a liberdade que esses personagens cantam e a liberdade que os cristãos descrevem são bastante diferentes. Hans e Anna afirmam que dirão “adeus à dor do passado”, porque procuram um tipo de amor sem esforço, que os liberte do sofrimento. Já para os cristãos, o desenvolvimento humano verdadeiro e o amor autêntico se concretizam na entrega e no sacrifício pessoal. Como Fulton J. Sheen escreveu, ao falar do mundo moderno, de nada adianta “tentar voltar ao Jardim do Éden sem subir a colina do Calvário”. O amor é realmente libertador, mas é do pecado que ele nos liberta. Afinal, o que é o pecado, se não valorizar a si mesmo mais do que ao outro, constituindo com isto o contrário do amor?
Depois de abandonar o reino porque o povo passa a considerá-la uma bruxa, Elsa foge para a Montanha do Norte, onde canta a canção mais popular do filme, “Let It Go” [Deixe acontecer]. Esta música, na minha opinião, é o elemento mais incompreendido do filme. Já ouvi de tudo contra ela: houve desde quem achasse que essa música é um hino ao egoísmo até quem entendeu que ela mostra o repúdio de Elsa ao patriarcado e a sua adesão ao lesbianismo. Sério! A bem da verdade, as escolhas de marketing da Disney realmente não ajudaram muito a contextualizar a música. A Disney pediu que Demi Lovato gravasse um cover da canção, o que eu acho que foi um erro, já que a versão dela alimenta essa interpretação de que a música é apenas um hino de expressão pessoal e de egocentrismo, em vez de uma indicação da situação interior em que Elsa se encontra naquele preciso momento do filme: uma situação em que ela reconhece que os seus poderes não podem mais ficar escondidos, mas em que, ao mesmo tempo, ela ainda nega a sua necessidade de companhia humana.
Para quem contextualiza a música adequadamente, deveria ficar claro que o “reino de isolamento” da rainha Elsa não é o lugar certo para ela. Ela não precisa mais manter os seus poderes escondidos do mundo, mas está completamente carente de companhia humana. Durante a maior parte da vida, Elsa viveu o mantra “esconda-se, não sinta”; agora, ela decide “deixar acontecer”, “fugir e bater a porta”. Ela canta: “É hora de ver o que eu posso fazer, testar os limites e rompê-los, sem certo nem errado; sem regras para mim… Eu sou livre”. Acontece que, assim como a ideia de Anna sobre a liberdade é falha, a de Elsa também é: a “liberdade” que ela ganha na Montanha do Norte é uma liberdade desprovida de relacionamento. Na canção, Elsa afirma que “o passado está no passado”, mas ela continua tão isolada em seu castelo de gelo quanto estava antes, em sua casa.

As duas canções parecem muito diferentes quando ouvidas pela primeira vez, mas a letra de “Let It Go” lembra com força o dueto da irmã, “O amor é uma porta aberta”. A semelhança fica especialmente evidente quando examinamos as imagens presentes nas canções. Portas, liberdade e deixar o passado para trás são conceitos mencionados de maneira semelhante. Em suas canções​​, as duas irmãs revelam duas reações possíveis à dor do isolamento. O que vem à mente, quando se consideram as ações das duas irmãs, é a máxima de que “a virtude está no meio de dois extremos”, um conceito que herdamos do filósofo pagão Aristóteles. Correr impensadamente para os braços de um homem, como fez Anna, ou isolar-se da sociedade com a desculpa de tentar “ser ela mesma”, como fez Elsa, são duas atitudes que não podem trazer felicidade. Nos casos de Elsa e de Anna, “Frozen” e a Igreja estão perfeitamente de acordo. Ambas, afinal, questionam: qual é o propósito do poder quando ele não é usado como uma forma de amor sacrificial?

Para o cristão, o amor é um ato realizado com a consciência de que a outra pessoa é valiosa, boa e bela. O dueto de Anna e Hans, que contém versos como “Eu nunca conheci ninguém que pensasse de maneira tão parecida comigo” e “A nossa sincronia mental tem que ter uma explicação”, parece mostrar uma atração de um pelo outro não baseada no que o outro é, mas apenas no quanto ele é parecido consigo próprio, o que faz com que cada um se sinta livre e aparentemente feliz. Parece um romance agradável, mas será que não é um tipo de narcisismo? Elsa também mostra algo semelhante ao narcisismo quando toma a decisão de se isolar na montanha, ainda que por razões compreensíveis, já que os seus cidadãos, supostamente leais, estão apavorados com ela. Ela corta todo contato humano, podando a própria capacidade de amar verdadeiramente os outros. Como C.S. Lewis escreveu, as portas do inferno são trancadas por dentro.

Depois de ser ferida por Elsa, Anna ouve dizer que só um ato de amor verdadeiro pode salvar a sua vida. Assim, pensando que Hans está apaixonado por ela, Anna procura ser beijada por ele, mas ele a trai: ela precisa, então, encontrar outro ato de amor verdadeiro. Mas a questão permanece: o que é o amor? De acordo com a tradição cristã, o tipo de amor que leva à realização humana é o dom de si mesmo. Mas será que “Frozen” concorda com isso?

Olaf, o boneco de neve responsável pelo lado cômico do filme, atua como professor de Anna no tocante ao amor. Depois que Hans trai Anna e a tranca no quarto (evocando o contrário da canção-tema do casal, “Love is an open door”), Olaf usa o nariz para abrir a porta e mostrar a Anna o que é o verdadeiro amor, salvando a vida dela. Ao falar com Olaf, ela finalmente admite: “Eu nem sei o que é o amor”. E ele responde: “O amor é… colocar as necessidades de outra pessoa na frente das suas, como, você sabe, quando Kristoff trouxe você de volta para cá, para Hans, e deixou você para sempre”.
Sim, você leu direito: um personagem de um filme da Disney identificou o amor, explicitamente, com um ato consciente, não com mero sentimento nem com obra do destino.

No clímax do filme, sabendo que precisa de “um ato de amor verdadeiro” para sobreviver, Anna tem que escolher entre “o beijo de amor verdadeiro”, que ela acha que vai salvá-la, e o gesto de libertar a irmã das mãos do traidor Hans. Anna corre para salvar Elsa da lâmina assassina de Hans e se transforma em gelo justamente quando a faca a atinge. Todos acreditam que Anna está morta, mas, quando a irmã começa a chorar sobre ela, Anna começa a descongelar. O que a salvou não foram sentimentos românticos, mas o amor sacrificial. Assim como os cristãos acreditam que devem seguir a Cristo morrendo para si mesmos pelo bem dos outros, “Frozen” mostra que Anna só sobreviveu por causa do amor de doação. Além disso, Elsa reconhece que, ao responder a todos à sua volta com amor em vez de isolamento, ela pode controlar os seus poderes e tornar-se totalmente “ela mesma”. Para o cristão, uma pessoa só é plenamente ela própria, só é verdadeiramente feliz, depois de se abrir ao amor divino e responder com amor. “Frozen” não faz nenhuma menção ao divino, mas eu diria que o amor central de todo o enredo é o amor cristão.

Os criadores do filme provavelmente não pretendiam evangelizar o mundo, mas conseguiram comunicar uma verdade sobre o amor humano que é ensinada pelo cristianismo. São Justino Mártir escreveu no século II: “Toda a verdade, onde quer que esteja, pertence a nós como cristãos”. Isso pode soar presunçoso para os não cristãos, mas esta citação contém a crença de que a verdade é una: que o mundo é fundamentalmente compreensível. Os cristãos acreditam que o fator unificador é Cristo. Ele é a chave que nos ajuda a compreender o sofrimento e o amor humano. Acreditem as pessoas na divindade de Cristo ou não, eu acho que todos podem ver conexões entre verdades, o que pode nos ajudar a reconhecer mais verdades. Eu não sei por que gostamos de um filme, mas acredito que a exposição às verdades sobre o amor, contidas em “Frozen”, nos abre para mais verdades, sejamos nós marxistas, feministas ou católicos.

fonte: http://lancedesantidade.blogspot.com.br/ (acessem esse blog, é muito bom)

A importância do silêncio para ter discernimento

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Se há algo que tem destruído a espiritualidade do homem do século XXI é a tagarelice; em outras palavras, a falta de silêncio, tanto exterior, mas principalmente interior. Em suma homem moderno não sabe imitar Nossa Senhora que guardava todas as coisas em Seu coração (cf. Lucas 2,19). Nós assim vivemos assim porque cada vez mais aumenta-se a poluição sonora; nunca antes na história da humanidade se produziu tanto barulho destruidor como nestes tempos. Se você mora numa região bem interiorana, talvez (na verdade, bem TALVEZ mesmo) você ainda usufrua de um silêncio moderado; porque já nas áreas urbanas, nos grandes centros, tudo nos leva a fugir do silêncio: buzinas, motores, carros de som, gritos, música alta (e nos mais variados rítmos, tudo dispersando o silêncio, como por exemplo: Rock, Funk, Rap, Eletrônica, etc.), televisão, rádio, conversas… E assim cada vez mais o silêncio é pouco “ouvido”.

Talvez você se pergunte o que tem a ver isso com o discernimento e com o “escutar a Deus”. Bom, a própria espiritualidade moderna tem vivido muito em cima de barulho. E se nós não aprendermos na escola da Virgem Maria (Nossa Senhora do Silêncio) a nos calarmos, mas não qualquer calar, mas um calar em Deus, nossa espiritualidade vai por água abaixo. No louvor Deus habita, mas é no silêncio que escutamos a Sua voz. E se ficarmos de gritaria em gritaria se silenciar (que é diferente de fechar a boca, pois muitos quase não abrem a boca, mas interiormente vivem “no mundo da lua” pensando em mil coisas “abafando” a voz de Deus).

Para entendermos a importância do silêncio, lembremos do que a Palavra de Deus nos ensina. O profeta Elias foi para o monte Horeb orar, dizendo que estava devorado de zelo pelo Senhor. O povo tinha abandonado o Senhor, passaram a fio de espada os profetas, e queriam matar também a Elias. O Senhor lhe falou. E é na resposta do Senhor, juntamente com o que ocorre em seguida, que quero que meditemos profundamente: “[...]‘Sai e conserva-te em cima do monte, na presença do Senhor! Ele vai passar’. Nesse momento, passou diante do Senhor um furacão, tão violento que fendia as montanhas e quebrava os rochedos, mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento, a terra tremeu, mas o Senhor não estava no tremor de terra. Passado o tremor de terra, acendeu-se um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira. Tendo Elias ouvido isso, cobriu o rosto com o mento, saiu e pôs-se à entrada da caverna. Uma voz disse-lhe: ‘Que fazes aqui, Elias?’[...]” (1Reis 19,11-13) – Vejam só, passando à frente do Senhor furacão, terremoto, fogo, mas o Senhor não estava em nenhuma dessas coisas. E onde estava a presença do Senhor? Na brisa ligeira, na brisa suave, ou seja, no santo silêncio. Muitos hoje confundem, por exemplo, unção num grupo de oração ou ministério de música com quem mais faz barulho. “Fogo! Fogo do Espírito…” Mas sem silêncio, há somente um clamor, mas sem resposta do Espírito Santo. Por quê? Ele não responde as orações? Responder, bom, responder Ele responde, o problema é que quando inexiste o silêncio, principalmente interiormente, fica difícil saber o que o Espírito Santo está falando. E é por isso que em vários lugares, pessoas falam coisas popularmente conhecidas como “da carne” (isso tanto em pregações, como em proclamações durante oração). Mas como uma pessoa que não faz silêncio interior, não reza, passa o dia ouvindo coisas do mundo, vai rezar e/ou pregar? Aí fica difícil. É um grupo e/ou pessoas carnais mesmo.

Já vai nos ensinar São Paulo “Deus não é Deus de confusão, mas de paz.”(1Coríntios 14,33) e também “Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia.”(Efésios 4,31). Mas infelizmente temos vivido no tempo da gritaria, da distração, enfim. Pouco se tem ouvido o Espírito. Para quem é de grupo de oração, por exemplo, deve viver o santo silêncio em toda a sua vida, e, principalmente ao servir no grupo de oração ao querer proclamar alguma coisa como vinda de Deus. Como que você sabe que aquilo vem de Deus? É no silêncio que saberás… Você não pode sair proclamando tudo que vem ao seu coração. Você precisa silenciar para discernir se isso vem de Deus, do demônio ou da sua carne humana mesmo. Isso vale para todos os casos. Veja bem, se você quer saber se determinada coisa é da vontade de Deus ou não, se está discernindo namorar com certa pessoa, se está querendo entrar na universidade e fazer tal e tal curso, como saberemos a vontade de Deus? (principalmente questão vocacional, como saber se Deus me chama ao sacerdócio, vida religiosa, matrimônio, enfim, como?) A resposta está em orar e silenciar, mergulhando em Deus para escutá-lo; pois na calmaria escutaremos Sua voz. E quando digo “escutaremos Sua voz” não quer dizer que o Céu se abrirá e eis que uma voz grossa e onipotente se comunicará com você; isso será muito pouco provável, mas como lemos na passagem do 1Reis, Deus se manifesta na brisa suave. No nosso silêncio conseguiremos compreender os sussurros do Espírito Santo, pra onde Ele está a nos guiar. E isso não é um dom dado a uns apenas, mas dado a todos. Não é nada de extraordinário, trata-se do dom de Conselho do Espírito. Ele que vem nos aconselhar. Então o Espírito com o dom de Conselho, Sabedoria, Inteligência, vem nos mostrar sua vontade. O problema não é ausência de dons, já que são dons ordinários, o problema é que não fazemos silêncio.

O problema da nossa tagarelice é tamanha que levou Santa Faustina falar por diversas vezes a respeito da importância do silêncio para a vida interior. Ela chegou a escrever palavras duríssimas a respeito da falta de silêncio. De fato, nós fazemos um “uso desordenado da língua”. Por isso medite nessas palavras da grande Santa Faustina:

“A língua é um membro pequeno, mas realiza grandes coisas. A religiosa que não sabe calar-se nunca atingirá a santidade, ou seja, jamais será santa. Que não se iluda – a não ser que através dela esteja falando o Espírito de Deus, é preciso ter o silêncio da alma e calar-se, não com um silêncio sombrio, mas com o silêncio na alma, isto é, com o recolhimento em Deus. Pode-se falar muito e não interromper o silêncio, e ao contrário pode-se falar pouco e sempre romper o silêncio. Oh! Que dano irreparável implica a inobservância do silêncio! Faz-se um grande mal ao próximo, porém ainda maior à própria alma.

Do meu ponto de vista e experiência, a regra do silêncio deveria estar em primeiro lugar. Deus não se comunica à alma tagarela que, como o zangão na colmeia, zumbe muito, mas não fabrica mel. A alma tagarela é vazia interiormente. Não há nela nem virtudes sólidas, nem familiaridade com Deus. Não há nela condições para levar uma vida mais profunda, para a doce paz e silêncio, em que reside Deus. A alma que não saboreou a doçura do silêncio interior é um espírito inquieto e pertuba o silêncio dos outros. Vi muitas almas nos abismos do inferno, por não terem observado o silêncio. Elas mesmas me disseram isso, quando lhes perguntei qual tinha sido a causa da sua perdição. Eram almas de religiosas. Meu Deus, que grande dor, pois, afinal, poderiam não apena estar no Céu, mas mesmo ser santas!

Ó Jesus, misericórdia! Até tremo quando penso que devo prestar contas da minha língua! Nela está a vida, mas também a morte; muitas vezes, matamos com a língua, cometemos verdadeiros homicídios, e ainda consideramos isso como coisa pequena? Realmente, não compreendo consciências desse gênero. Conheci uma pessoa que, tendo sabido de certa coisa que dela se falava… adoeceu gravemente, e resultou disso que perdeu muito sangue e derramou muitas lágrimas. E este triste resultado não foi causado por uma espada, mas apenas pela língua. Ó meu Jesus silencioso, tende misericórdia de nós!” (Diário de Santa Faustina 118-119) [destaque nosso]

Forte, não? Apesar de eu achar que as palavras de Santa Faustina são bem claras e diretas, gostaria de falar algumas coisas sobre seus apontamentos.

Veja bem, só só atingiremos a santidade se fizermos silêncio. Afinal, só silenciando ouviremos a voz de Deus, e conseguiremos fazer a distinção do que é bom e do que é ruim. Se a desobediência dos nosso primeiros pais, tentados pela serpente, ao comerem o fruto do bem e do mal desordenaram todo gênero humano; nós ordenamos a nossa vida, aprendendo a distinguir o bem do mal, não mais desobedecendo a Deus, mas para obedecer os 10 mandamentos e Sua lei, com o “fruto” do silêncio. Só no silêncio conseguimos ter um verdadeiro discernimento dos espíritos.

Santa Faustina deixa muito claro que não basta apenas silenciar exteriormente, mas tem que ser um silêncio em Deus. Não basta por exemplo, sair das grandes cidades, ir pra um retiro no meio do mato, se lá eu não silêncio em Deus e me atolo em barulhos interiores. Ela mesma diz “Pode-se falar muito e não interromper o silêncio, e ao contrário pode-se falar pouco e sempre romper o silêncio”. Como isso? Bom, veja bem: uma pessoa pode ser, por exemplo, um professor em três turnos, ou seja, passar o dia falando, mas este ouvirá a voz de Deus se dentro dele ele manter a serenidade de uma vida unida a Deus, se tirar tempo pra oração e pra escuta da voz de Deus. Isso foi um exemplo. É o caso de pregadores, que falam, falam, mas não quer dizer que não estejam fazendo silêncio. Um bom pregador deve estar silencioso antes, durante e depois da pregação. Antes para compreender o que o Senhor quer que ele pregue; durante para discernir as moções do Espírito, sendo assim sabendo o que vem de Deus e o que são tentações para apenas distraí-lo; e depois para colher os frutos e manter-se unido a Deus. Como que eu vou pregar se antes eu estava pensando na morte da bezerra? Ou como pregarei se antes da pregação estava ouvindo música do mundo? Como pregarei se ao pregar estou pensando em namoro, jogo de futebol… Veja, pode até não falar nada disso, mas pensando… Está assim abafando a voz de Deus.

E é bem por isso que hoje existe uma grande falta de discernimento na vida de todos os católicos. Se Santa Faustina diz que pode-se falar pouco e sempre romper o silêncio, isso vale e muito para os nossos dias. Eu posso passar um dia inteiro sem abrir a boca para pronunciar uma palavra sequer; porém rompendo o silêncio. Como pode isso? Ora, veja bem. Hoje muitos acham que vivem em silêncio, mas interiormente somos barulhentos, frios, sem experiência com Deus, sem virtude. Achamos que estamos vivendo a virtude do silêncio, mas passamos o dia todo no Facebook, por exemplo. Não abrimos a boca para pronunciar nada, mas passamos o dia todo lendo besteira no Facebook, Twitter “Zap-Zap”, etc. O demônio é tão astuto, que além de nos distrair prendendo-nos na frente de um computador, quando dizemos “chega! Quero viver!” o que fazemos? A mesma coisa, só que no celular. Ficamos horas e horas no computador, e quando saímos de casa, saímos conectados nas redes sociais pelos aparelhos celulares que levamos para todo lugar, até mesmo pra Igreja. E o silêncio? E depois queremos ouvir a voz de Deus. E pior ainda: depois dizemos que os desejos da nossa carne são voz de Deus. Faça-me o favor! Silenci-se em Deus.

Com isso, como diz Faustina, ficamos com espírito inquieto, pertubado, e chamamos isso de “aridez espiritual”, afinal, os santos sofreram aridez; entretanto, deveria ser chamado de tibieza e safadeza, porque estamos trocando a vida íntima com Deus pelo barulho e conversações desnecessárias com criaturas. “Aí, minha alma está árida”. Não, não é sua alma que está árida, é sua conta no Facebook que está muito acessada e o Santíssimo pouco visitado. E pouco visitado no silêncio. Hoje em dia vamos pra adoração e o que fazemos? Tiramos foto pra postar em tempo real. “Estou aqui adorando o Senhor, vem você também” – deve postar alguns. Adorando e acessando rede social? Legal heim guerreiro, sua mente e espírito bilocam não é mesmo?

E falo isso porque vejo minhas próprias misérias. Tenho persebido que depois de passar longo tempo no Facebook, saio, desligo o computador… pego o celular e entro no Facebook pra ver se alguém mandou alguma mensagem durante os longos 2 minutos entre sair e desligar o PC. Ora, aí quero ouvir a Deus e ser santo, heim? Vocês devem ter persebido que ando escrevendo pouco. Tenho que admitir que não é por falta de inspiração, é por falta de surra mesmo. Muitas vezes O Espírito Santo me inspira um tema para escrever. Antigamente quando vinha a inspiração já pirava, fazia uma oração, escrevia, postava, amém. Hoje? “pera, deixa eu compartilhar tal coisa no face, ver tal comentário no Youtube, responder fulano e fulana no bate papo… Olha só! Twitter…” e quando penso que não: “o que eu ia escrever mesmo?” As vezes lembro o tema, mas não lembro o corpo do texto que já vinha no coração. Entendem? Abafei a voz de Deus. Outras vezes digo que vou fazer video no lugar de escrever. E com os meus barulhos interiores, nem video nem texto, só tibieza e sem vergonhice da minha parte. Eu sou um poço de miséria e negligência. E como devo tremer e me converter ao ler esta frase de Santa Faustina: Ó JESUS, MISERICÓRDIA! ATÉ TREMO QUANDO PENSO QUE DEVO PRESTAR CONTAS DA MINHA LÍNGUA! – Como é terrível, meus queridos irmãos, saber que minha língua e meu intelecto deveriam estar focados na glória de Deus, mas passo o tempo a tagarelar em redes sociais, com outras pessoas ou comigo mesmo. E ao pensar: e se eu morresse agora? Meu Deus, Misericórdia! Olha tanta coisa, tanto em relação a video, textos pro blog, e até livros que o Senhor me inspirou e fui deixando pra depois, e estou até agora sem publicar. E tudo porquê? Sem silêncio, perdendo tempo com tudo, menos com o Tudo que é Jesus Cristo.

No mais, meus queridos irmãos e irmãs, se esforcem para viver este santo silêncio em Deus. Se quer saber se seu namoro é da vontade de Deus, se deves entrar na universidade e qual curso fazer. Ou se és de grupo de oração ou em um terço ou adoração vem algo em seu coração, mas teme proclamar por não saber se vem de Deus, lembre-se dessa frase de Santa Faustina: DEUS NÃO SE COMUNICA À ALMA TAGARELA. Você tem sido tagarela? Exemplo: acorda e não reza, vai pra internet, conversa com monte de gente, ouve músicas mundanas. Por exemplo, como já fiquei sabendo de caso de jovem que foi pregar em um retiro mas antes da pregação estava ouvindo música sertaneja. E além disso só conversa, chega na Igreja não vai pro Santíssimo, ou se vai é rápido, e logo se põe a converar. A pessoa chama para começar a pregação, e ele estava conversando. Meu irmão, minha irmã, se você e eu estamos nos preparando pra pregar, rezar, interceder assim, sinto muito, mas só vamos pregar e/ou proclamar coisa da nossa conversa, coisa da nossa carne. Deus fala! Deus é um Deus vivo que se comunica com Seus filhos. Por favor, pare de se comunicar com o barulho mundano, para ouvir a doce voz do Espírito na brisa leve para assim proclamar as coisas do coração de Cristo.

E ao escrever este texto me veio ao coração outro caso de “barulho interior” que o demônio pode facilmente camuflar como virtude. A pessoa não sobra o joelho pra rezar antes dos estudos. Por exemplo, a pessoa não reza, reza pouco, barulhento, não faz uma leitura orante da Palavra, não faz essa meditação no silêncio; porém, para esta alma tudo está tranquilo porque – não vive de sentimentalismo, aliás – ela ler bastante livros cristãos. Faz leitura de vários e vários livros da vida dos santos, livros sobre as maravilhas da oração, sobre a tradição da Igreja, le sobre os Concílios, sobre os mártires, faz uma leitura intelectual da Bíblia… Ó que comunhão com Cristo! Não! Comunhão com a soberta. Pois, segundo o que ensinam os santos, podemos concluir que nas Sagradas Escrituras e nas demais piedosas leituras procuramos a Deus, mas na oração o encontramos. Talvez você saiba decorado versículos e versículos bíblicos, textos inteiros de santos, a ordem dos Papas de Pedro até Francisco, tudo “tim tim por tim tim” da tradição da Igreja e da vida dos santos… mas e a oração? E o silêncio? As vezes a gente não faz oração porque vamos ler um livro que fala de oração. Mas depois rezamos, neh? Não, depois nos distraímos lendo um livro que fala de outro assunto. E assim, o demônio vai camuflando nossa falta de oração, nosso “barulho interior”, com essa falsa piedade. O estudo, a boa leitura é muito importante para nos auxiliar na caminhada com Deus, mas jamais pode ser empecilho para a vida de oração, para a vida de intimidade com o Senhor. Por isso diz Santa Teresa de Ávila que quando uma pessoa entra na vida de oração, o inferno todo se levantará para tirá-la. Que nada, nem os bons livros, te tirem da união íntima com Aquele que os bons livros devem levar: Jesus Cristo. Faça silêncio. Leia com moderação. Silencie sempre. Fale sob inspiração do Espírito Santo.

E se você é um religioso que existe regra de silêncio ou algo do tipo, veja o que Santa Faustina fala, ela viu religiosas no inferno porque não cumpriram as regras, mesmo que pequenas, penso eu, a respeito do silêncio. Santa Faustina também fala que uma pessoa que guarda o silêncio sempre age sob ação do Espírito Santo.

Que Nossa Senhora, a Virgem do silêncio, nos ajude a silenciar exterior e principalmente interiormente para que, a Seu exemplo, vivamos em todas as nossas ações sob a inspiração do Espírito Santo.

Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe! Viva Cristo Rei!

Fonte: http://catolicoargrade.blogspot.com.br/ (quer ver mais? acesse o site, muito bom o site com muita informação e formação )

Os demônios creem e estremecem diante da presença real de Jesus na Eucaristia

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jesus

Alguns anos atrás, eu escrevi sobre uma experiência incomum que tive ao celebrar a santa missa: uma pessoa, atormentada pela possessão demoníaca, saiu correndo para fora da igreja no momento da consagração. Voltarei a falar deste caso um pouco mais adiante.

Eu me lembrei do fato nos últimos dias em face das atuais notícias de que um culto satânico da cidade de Oklahoma (EUA) roubou uma hóstia consagrada de uma paróquia e anunciou que a profanaria durante uma “missa negra”, a realizar-se neste mês de setembro. O arcebispo de Oklahoma, dom Paul Coakley, entrou com uma ação judicial para impedir o sacrilégio e exigir que o grupo devolvesse a propriedade roubada da Igreja. Dom Coakley ressaltou, no processo, que a hóstia seria profanada dos modos mais vis imagináveis, como oferenda feita em sacrifício a Satanás.

O porta-voz do grupo satânico, Adam Daniels, declarou: “Toda a base da ‘missa’ [satânica] é que nós pegamos a hóstia consagrada e fazemos uma ‘bênção’ ou oferta a Satanás. Nós fazemos todos os ritos que normalmente abençoam um sacrifício, que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo. Então nós, ou o diabo, a reconsagramos…”.

À luz do processo judicial, o grupo devolveu à Igreja a hóstia consagrada que tinha roubado. Graças a Deus.
Mas você notou o que o porta-voz satânico atestou sobre a Eucaristia? Ao falar do que seria oferecido em sacrifício, ele disse: “…que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo”.
Por mais grave e triste que seja este caso (e não é o primeiro), esses satanistas explicitamente consideram que a Eucaristia católica É o Corpo de Cristo. Pelo que eu sei, nunca houve tentativas de satanistas de roubar e profanar uma hóstia metodista, ou episcopaliana, ou batista, ou luterana, etc. É a hóstia católica o que eles procuram. E nós temos uma afirmação da própria escritura que garante: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Em outra passagem, a escritura nos fala de um homem que vagava em meio aos túmulos e era atormentado por um demônio. Quando viu Jesus, ainda de longe, correu até Ele e o adorou (Marcos 5,6). O evangelho de Lucas cita outros demônios que saíam de muitos corpos possuídos e gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”. Mas Jesus os repreendia e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Cristo (Lc 4,41-42).

De fato, como pode ser atestado por muitos que já testemunharam exorcismos, há um poder maravilhoso na água benta, nas relíquias, na cruz do exorcista, na estola do sacerdote e em outros objetos sagrados que afugentam os demônios. Mesmo assim, muitos católicos e não católicos minusvaloram esses sacramentais (assim como os próprios sacramentos) e os utilizam de qualquer jeito, com pouca frequência ou sem frequência alguma. Há muita gente, inclusive católicos, que os consideram pouco importantes. Mas os demônios não! Vergonhosamente, os demônios, às vezes, manifestam mais fé (ainda que cheia de medo) que os crentes que deveriam reverenciar os sacramentos e os sacramentais com fé amorosa. Mesmo o satanista de Oklahoma reconhece que Jesus está realmente presente na Eucaristia. É por isso que ele procura uma hóstia consagrada, ainda que para fins tão nefastos e perversos.

Tudo isso me leva de volta ao caso real que eu descrevi já faz um bom tempo. Apresento a seguir alguns trechos do que escrevi há quase quinze anos, quando eu estava na paróquia de Santa Maria Antiga [Old St. Mary, na capital norte-americana] celebrando a missa em latim na forma extraordinária. Era uma missa solene. Não seria diferente da maioria dos domingos, mas algo muito impressionante estava prestes a acontecer.

Como vocês devem saber, a antiga missa em latim era celebrada “ad orientem”, ou seja, voltada em direção ao oriente litúrgico. Sacerdote e fiéis ficavam todos de frente para a mesma direção, o que significa que o celebrante permanecia, na prática, de costas para as pessoas. Ao chegar a hora da consagração, o sacerdote se inclinava com os antebraços sobre o altar, segurando a hóstia entre os dedos.

Naquele dia, eu pronunciei as veneráveis palavras da consagração em voz baixa, mas de modo claro e distinto: “Hoc est enim Corpus meum” [Este é o meu Corpo]. O sino tocou enquanto eu me ajoelhava.

Atrás de mim, no entanto, houve algum tipo de perturbação; uma agitação ou sons incongruentes vieram dos bancos da parte da frente da igreja, logo às minhas costas, um pouco mais para a minha direita. Em seguida, um gemido ou resmungo. “O que foi isso?”, perguntei a mim mesmo. Não pareciam sons humanos, mas grasnidos de algum animal de grande porte, como um javali ou um urso, junto com um gemido plangente que também não parecia humano. Eu elevei a hóstia e novamente me perguntei: “O que foi isso?”. Então, silêncio. Celebrando no antigo rito da missa em latim, eu não podia me virar facilmente para olhar. Mas ainda pensei: “O que foi isso?”.

Chegou a hora da consagração do cálice. Mais uma vez eu me curvei, pronunciando clara e distintamente, mas em voz baixa, as palavras da consagração: “Hic est enim calix sanguinis mei, novi et aeterni testamenti; mysterium fidei; qui pro vobis et pro multis effundetur em remissionem pecatorum. Haec quotiescumque feceritis in mei memoriam facietis” [Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, o mistério da fé, que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados. Todas as vezes que fizerdes isso, fazei-o em memória de mim].

Então, ouvi mais um ruído, desta vez um inegável gemido e, logo em seguida, um grito de alguém que clamava: “Jesus, me deixe em paz! Por que me tortura?”. Houve de repente um barulho que lembrava uma briga e alguém correu para fora a um som de gemidos, como de quem tivesse sido ferido. As portas da igreja se abriram e em seguida fecharam. Depois, o silêncio.

Consciência – Eu não podia me virar para olhar porque estava levantando o cálice da consagração. Mas entendi no mesmo instante que alguma pobre alma atormentada pelo demônio tinha se visto diante de Cristo na Eucaristia e não tinha conseguido suportar a sua presença real, exibida perante todos. Ocorreram-me as palavras da escritura: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Arrependimento – Assim como Tiago usou aquelas palavras para repreender a fé fraca do seu rebanho, eu também tinha motivos para a contrição. Por que, afinal, um pobre homem atormentado pelo demônio era mais consciente da presença real de Cristo na Eucaristia e ficava mais impactado com ela do que eu? Ele ficou impactado em sentido negativo e correu para longe. Mas por que eu não me impactava de forma positiva com a mesma intensidade? E quanto aos outros crentes, que estavam nos bancos? Eu não tenho dúvidas de que todos nós acreditávamos intelectualmente na presença eucarística. Mas há algo muito diferente e muito mais maravilhoso em nos deixarmos mover por ela na profundidade da nossa alma! Como é fácil bocejarmos na presença do Divino e nos esquecermos da presença milagrosa e inefável, disponível ali para todos nós!

Quero deixar registrado que, naquele dia, há quase quinze anos, ficou muito claro para mim que eu tinha nas minhas mãos o Senhor da Glória, o Rei dos Céus e da Terra, o Justo Juiz e o Rei dos reis da terra.
Será que Jesus está realmente presente na Eucaristia?
Até os demônios acreditam!

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fonte:http://www.catolicostradicionais.com.br/2014/09/os-demonios-creem-e-estremecem-diante.html